terça-feira, 2 de março de 2010

Após as duas recentes catástrofes sísmicas (Haiti e Chile) seguiram-se cenas similares e por razões similares: a falta de produtos de primeira necessidade levou a uma onda de saques e violência.


Pessoas com fome e sede passam a buscar instintivamente o suprimento de sua necessidades básicas da mesma forma que um animal selvagem faria: tomando pra si por meio da força aquilo que precisam.

Todos nós temos o mesmo instinto e faríamos exatamente os mesmos atos de violência se estivéssemos naquela situação, e isso, por fim, explica a existência do salário mínimo.

O que? Não entendeu? Bom, deixe-me explicar: a única condição fatidicamente incontestável para reduzir qualquer grupo humano à uma anarquia generalizada regida pela lei do mais forte é o Estado de Necessidade (aliás, situação que até mesmo nosso direito entende como permissiva para se tirar uma vida) e os governantes, há milênios, sabem muito bem disso.


A fome é o combustível das revoluções.

Assim sendo, se você quer manter uma massa populacional quietinha fazendo seu trabalho, faça qualquer coisa menos deixá-los famintos!

Essa é a grande sacada do Salário Mínimo: nossa constituição diz que ele deveria ser apto a atender as necessidades básicas de um indivíduo abarcadas entre elas a alimentação, saúde, moradia e lazer...

(ok, pausa pra se mijar de rir)


Bom, sabemos que nosso SM não atende essas necessidades nem fodendo, então pra que é que esse negócio serve? Simples: pra você não morrer de fome.

Corrupção, sacanagem generalizada, falta de saúde, segurança, emprego, educação, transporte, impostos ridiculamente extorsivos... Tudo isso vai sendo levado com a barriga enquanto o povo não estiver faminto o bastante pra ficar irracional. A certeza do salário no fim do mês te mantém:

1º. Quietinho fazendo sua parte, acordando cedo, produzindo e pagando as contas na medida do possível;

2º. Esperançoso o bastante pra se concentrar muito no que faz e não ter tempo pra esquentar a cabeça com outras coisas (como política por exemplo);

3º. Resumidamente: conformado e inerte (cada um fica procurando seu lugar à sombra e dane-se o resto).

Um caso célebre atribuído a Maria Antonieta (na verdade não foi ela quem proferiu a fatídica frase, mas interessa aqui o sentido) dizia que, às portas da revolução francesa um grupo de esfomeados plebeus franceses foi piquetear às portas do palácio reclamando da falta de pão, ao que a resposta foi:

"Se o povo não tem pão que comam brioches" (como se fosse um problema de "opção")

Bom, com o devido lapso temporal o próximo grande marco desse caso foi a maior revolução popular da história acompanhada do, exaustivamente utilizado, invento da guilhotina... Pois é... teria sido melhor liberar uns pãozinhos né...

Portanto não se engane, somos animais, passamos anos sem estudo, segurança ou moralidade, mas não passamos um dia sem água e comida. Somos macacos vestindo roupas e fingindo que controlamos a natureza, mas a verdade e que não controlamos porra nenhuma, somos fiéis seguidores de nossas necessidades e por elas os fins justificam os meios. É frio, cruel e direto... enfim, é humano.





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